O homem com cabeça de urubu - Glauber Costa
- Jacque Spotto

- 23 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
O que você faria se ao andar por aí se deparasse com um homem com uma cabeça de urubu? Esse é o início desse livro que só pelo título nos instiga a lê-lo.
Primeiro livro do escritor e professor Glauber Costa, sua primeira versão saiu em 2015 onde escreveria apenas um conto para a Revista Subversa e de lá para cá o autor aprimorou o conto onde veio a se tornar um livro em 2020. Glauber é do estado da Bahia mas atualmente mora em Manacapuru no Amazonas.

O livro é composto por 12 capítulos, que no início não se sabe ao certo se são contos distintos mas com o mesmo elemento em comum; o urubu, ou se são histórias diferentes que se interagem com alguns personagens. Depois de alguns capítulos percebemos que sim, são capítulos e que os personagens têm direta ou indiretamente uma ligação entre eles.
O primeiro capítulo, que contém o mesmo nome do título do livro, inicia com o Jorge a caminho do trabalho e avista um homem com uma cabeça de urubu, ele não acredita no que vê, e percebe que todos ao seu redor e próximos ao homem agem com naturalidade, estaria ele tendo uma alucinação? Essa aparição o mantém pensativo por todo o dia até que, no outro dia, ele reencontra o homem. Daí em diante findam-se as suas dúvidas… ou elas se iniciam?
Após esse primeiro capítulo, Glauber nos apresenta vários personagens que em algum momento tem o elemento, urubu, na história, e vemos que com o decorrer do livro esse elemento passa de um ser estranho para algo mais bizarro e assustador. De um homem-urubu que está caminhando entre outras pessoas a um ataque de animais que tomam conta de uma cidade. Glauber utiliza de uma fabulação para fazermos pensar sobre o próprio ser humano, nossas atitudes que às vezes se misturam a ações animalescas e que infelizmente se passam a ser naturalizadas.
"Se todos se acostumam com a aberração, era possível que, mais cedo ou mais tarde, eu passasse a encarar isso com naturalidade." (p.11)
O antropozoomorfismo foi uma maneira utilizada por Glauber para fundir tanto a função do animal em se sustentar de alimentos podres, lixo, de tudo que é descartado por nós, como o comportamento humano que a cada dia está mais fadado a normalizar o mais vil de nossos sentimentos perante a situações desprezíveis que corroem a alma humana. Como o próprio escritor inicia o livro com a frase: "O homem é o urubu do homem".
O homem com cabeça de urubu
Glauber Costa
Editora: Clube de Autores
2020




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