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Diário de um Fescenino - Rubem Fonseca

  • Foto do escritor: Jacque Spotto
    Jacque Spotto
  • 13 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de out. de 2022

Pelo título do livro, achei que Rubem Fonseca estaria entregando tudo: "um personagem libertino contando suas peripécias amorosas e sexuais". Mas não, é muito mais. Rubem Fonseca brinca com o próprio título da obra, induzindo o leitor a acreditar que sabe do que se trata a obra.


A história está em formato de diário, de 01/Jan a 31/dez, durante esse ano, Rufus, o narrador/escritor, se propõe a escrever em seu diário seus relacionamentos (todos conturbados), e daí puxando também para seu cotidiano e alguns flashbacks, de como entrou na vida de escritor, sobre a faculdade de Letras, até seu processo criativo em escrever um livro de "romance de formação".


Mesmo tendo ciência de ser um diário, não podemos confiar no narrador, mesmo ele afirmando em muitos momentos que se trata de uma escrita despretensiosa, que é apenas uma forma de ajudá-lo a poder escrever em paralelo o seu romance, Rufus em alguns instantes nos entrega a natureza da escrita do diário:


"Não me imporei restrições, porém sei que estarei sendo influenciado de várias maneiras, ao considerar a hipótese de ser lido pelos meus contemporâneos". (p. 5, 2010)

Em paralelo com seu processo de escrita e críticas ácidas aos leitores (adorei essas partes), o narrador escreve sobre suas relações "amorosas", e toda a trama em que ele se envolve, causando um grande problema para si, custando a fama de assassino e estuprador.


É interessante na obra, que em várias vezes as pessoas o acusam de coisas que ele não fez, e sim feitas pelos personagens de seus livros. E isso se atenua ainda mais no seu julgamento, pois associavam os crimes dos personagens ao verdadeiro pensamento do escritor.


No final das contas, o romance que ele realmente pretendia escrever não seria o próprio diário? E todas as histórias que mais pareciam um thriller tragicômico, não seria o seu próprio romance de formação? Deixo essas questões para vocês leitores, porque Rubem Fonseca usou e abusou aqui da metalinguagem! Apaixonados por escrita, por citações de grandes escritores e de críticos literários vão nadar de braçada neste livro!



DIÁRIO DE UM FESCENINO

Autor: Rubem Fonseca

Editora: Nova Fronteira

Ano: 2003




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