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Não verás país nenhum - Ignácio de Loyola Brandão

  • Foto do escritor: Jacque Spotto
    Jacque Spotto
  • 7 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de out. de 2022

Quando pensamos em distopia, logo pensamos nos clássicos como: 1984 de George Orwell, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, Fahrenheit 451 do Ray Red Bradbury, entre outros. Se olharmos à nossa volta, veremos que temos grandes escritores brasileiros como Ignácio de Loyola, com obras como "Não verás país nenhum" que foi uma ótima surpresa enviado pela Global.



É uma história distópica, de um Brasil marcado pela irresponsabilidade ecológica que fez com que o país se tornasse um imenso deserto, marcado pela falta de água, extinção da fauna e flora. Como resultado, temos um local seco, doenças de todas as formas que afligem a população em decorrência da falta de uma alimentação saudável, pela sujeira (lixo, cadáveres…), pelo calor insuportável e pela comida sintética e química que são consumidas, assim, também com produtos químicos utilizados de várias formas para poder manter o mais próximo de uma antiga vida que não existe mais.


Porém, muito além de uma denúncia em forma de ficção, Loyola nos envolve na vida do personagem Souza, um ex-professor universitário de História que teve sua aposentadoria compulsória decretada por informar aos seus alunos de assuntos que o Governo planejava abafar, aqui o Governo se chama "Esquema". Souza vive com sua esposa em um bloco de apartamentos, passa a trabalhar em um escritório onde o serviço é quase robotizado e sem sentido, e assim vivem por décadas. O que podemos chamar de uma família de classe média, que mantém suas vidas tentando não se preocupar com o restante da sociedade.


Até que um dia algo diferente acontece com Souza e ele passa a questionar seu modo de vida e a letargia em que está submetido, daí em diante o personagem emerge do que realmente está acontecendo ao seu redor, não que ele já não tinha esse conhecimento, mas ele passa a ter uma "consciência" maior e vê a insignificância de viver como está e o caos em que está inserido.


"Uma roda girando sem sair do lugar. Produzindo o quê? O vazio. Moto-contínuo. Funcionaria a vida inteira, sem parar. A menos que alguém interrompesse. Se ninguém impede, as coisas continuam, eternizadas. É preciso sempre intervenção, que alguém se interponha, se transforme em obstáculo à repetição." (p. 111)

"Não verás país nenhum", trata de tantos assuntos concretos que vivemos hoje, como relata a historiadora Heloisa Starling no texto que antecede o livro:

"A tarefa da distopia é acionar o sinal de alarme. [...] A distopia supera nossa compulsão de separar uma época da outra para revelar um pressentimento sempre atual que torna legível a calamidade e o pesadelo que rondam a sociedade". (p. 11).

Loyola nos entrega uma história que é quase uma previsão, não somente do futuro em que ele viria a viver, mas do próprio presente, situações que realmente acontecem agora mas que pela correria de nossas vidas, pela adaptação ao caos, nos vemos cegos diante do que ocorre à nossa volta. E aí se encontra o absurdo, qual o propósito da vida se estamos a todo momento sabotando nossa própria existência?


Não verás país nenhum

Escritor: Ignácio de Loyola Brandão

Editora: Global

29º edição - 2021 - Edição comemorativa 40 anos.



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