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Flores de Alvenaria - Sérgio Vaz

  • Foto do escritor: Jacque Spotto
    Jacque Spotto
  • 12 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

Flores de Alvenaria é uma miscelânea de narrativas literárias com poemas, aforismos, contos e crônicas. Assim como a diversidade da periferia também é a obra de Sérgio Vaz, e através dessas narrativas o autor nos mostra a veia pulsante da arte de uma comunidade que muitas vezes é desconsiderada no meio literário. O que é exposto muito bem por Chico César na apresentação do livro:


"É a fala de quem não aceita ser deletado pela bala do verniz corretor da rota academicista e sua frota de carros importados, estacionados dormentes no pátio das universidades públicas em privadas tornadas."(p.9)


Através de sua obra, o escritor mostra que todos podem expor sua arte, não somente alguns, inclusive na periferia encontram-se grandes manifestações artísticas e culturais, que vão desde a música às artes plásticas. E nada melhor que os próprios moradores dessas periferias para falar do que se passa ali dentro, ninguém é mais conhecedor de sua própria cultura do que a população que compõem o local. Os temas dessas narrativas vão desde a vida em que a sociedade periférica está inserida à poemas de amor, entre elas: o racismo, a desigualdade social, preconceito religioso, política, amizade, empatia e amor.


O primeiro texto do livro que dá nome ao livro "Flores de Alvenaria" é um poema onde Sérgio expõe a desassistência da comunidade pelas autoridades, e apesar de tanto sofrimento, eles são chamados a se unirem e lutarem, pois a união entre eles é uma das únicas formas de construir algo, de chamar a atenção para todos os males que passam, e tudo isso é tangível e visível, a realidade transfigurada em poética.


Seus textos têm uma escrita muito direta e simples, pois é feita da comunidade para comunidade, é a escrita a partir de sua vivência, de seus medos e indignações, como um grito de revolta, mas mesmo assim com todos os problemas, Sérgio nos mostra sempre buscar a felicidade e mantê-la pelas conquistas do outro, por mais simples que possa parecer. Em vários momentos da leitura levamos um "tapa na cara", vivemos em um mundo individualista, onde olhamos apenas para o nosso próprio umbigo e esquecemos do outro, mesmo que sejam as pessoas que estão tão próximas a nós, e vemos essa falta de empatia estampada nos acontecimentos que passamos atualmente. Sérgio Vaz chama as pessoas a se unirem, a sempre buscar melhorar mesmo com as grandes dificuldades que cada um passa. Essa empatia pela vitória do outro é muito bem exposta no texto "Ser Feliz".


"Fique feliz porque outras pessoas estão felizes. Um brinde àquele seu amigo que saiu da fila do desemprego, ou que encontrou um novo amor… Fique feliz em saber que o brilho de outras pessoas não é aquilo que te traz escuridão, mas a luminosidade". (p. 41-42)

Flores de Alvenaria é daquelas belas surpresas que encontramos, que nos faz olhar não somente para o que nos rodeia, mas o que somos como um todo, como brasileiros, como ser humanos. O autor nos convida a enxergar os defeitos da sociedade com uma lupa, a qual já virou tão rotineira que passamos a naturalizá-la, o que nunca deveria acontecer, mas também nos mostra que além dos problemas sempre há uma centelha de esperança, amor e amizade que nos impulsiona para que nunca deixemos de lutar.



Flores de Alvenaria

Escritor: Sérgio Vaz

Editora: Global

2º edição - 2121


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