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Cabeça Branca: A caçada ao maior narcotraficante do Brasil - Allan de Abreu

  • Foto do escritor: Jacque Spotto
    Jacque Spotto
  • 1 de out. de 2021
  • 3 min de leitura

Cabeça Branca é o apelido de Luiz Carlos Rocha, com 13 anos viu seu pai sendo preso por contrabando de uísque falsificado, mesmo sendo solto depois de um tempo. Mas seu pai nunca saiu do crime, sempre com contrabandos de uísque e em seguida abriu uma empresa de corretagem de café, uma fachada para burlar o pagamento de impostos das sacas.


"Era muito mais vantajoso levar o carregamento ilegalmente até o Paraguai e exportar pelo país vizinho, com tributos muito menores". (p.42)


Foi um típico jovem playboy que usufruía do dinheiro ilegal e do poder do pai na cidade, tinha carros luxuosos, sempre fazendo festas e rodeado de várias mulheres. Com o tempo abriu seu próprio escritório de comércio de café e continuou com o contrabando de sacas. Já nos anos 80 passou a traficar cocaína, trazidas da Bolívia e Paraguai para o Brasil. Cabeça Branca fornecia a droga não somente para regiões do país, mas também exportava para outros países como: Portugal, Itália, Suriname, entre outros. Sempre se mantinha discreto, não ostentava riqueza milionária como fazia quando era mais jovem, mas como um rico fazendeiro que morava no interior do estado. Uma das grandes dificuldades da PF em conseguir capturá-lo, outras é que ele tinha um esquema muito bem arquitetado de comunicação, seus telefones eram via satélite e tinha um forte esquema do tráfico, mudou de nome e fez algumas cirurgias plásticas, junto a seu anonimato que dificultava para a PF descobrir seu paradeiro e fazer as interligações com outros fornecedores de drogas.


Cabeça Branca mantinha até mesmo no Paraguai recursos para uma cidade, através de um deputado que recebia dinheiro para fazer "vista grossa" para seu contrabando. Financiava campanhas políticas, abastecia os carros de polícia, reformava as escolas, entre outros favores que o mantinha fora da mira da polícia paraguaia.


A PF só passou a investigar mais sobre Cabeça Branca no final dos anos 80, quando alguns fornecedores vinham a ser presos e tinham uma certa ligação com o ele. Dos anos 90 até 2017, ano em que foi preso, foram 30 anos despistando da PF e mantendo seu Império. Seu patrimônio ultrapassava mais de 1 bilhão, isso que se sabe.


Se dependesse apenas de Cabeça Branca, talvez não iria preso tão cedo ou nunca, mas a PF passou a investigar ao seu redor para tentar capturá-lo. Como o próprio delegado lhe conta em uma conversa após sua prisão:


"__ Eu esperava ser preso um dia, mas não nessa fase da minha vida. Eu devia ter saído do país. Como é que vocês me pegaram, doutor? Me diga: o que eu fiz de errado?
__ Você não errou. Nós chegamos até você pela sua família. Sabíamos que você mantinha algum contato com seus filhos, irmãos e mãe. Por eles chegamos ao Wilson Roncaratti, que nos levou até você.
__ Eu sabia que aquele velho filho da puta deixaria rastro." (p.197)

Quando se ouve a palavra narcotraficante já associamos logo o que ouvimos na mídia, já pensamos nos traficantes do morro, com suas AR15 descendo e subindo os estreitos becos, bem "à la livro/filme Cidade de Deus", não que isso não ocorra, mas vai muito além dessa estereotipada percepção, esses que já imaginamos em nossa mente é somente a ponta do iceberg que conseguimos enxergar, a parte menos lucrativa de toda uma engrenagem.


Em paralelo com essa caricaturesca ideia de um narcotraficante, não imaginamos os verdadeiros poderosos que distribuem as drogas não somente no país, mas para diversos lugares do mundo, escondidos atrás de rostos de ricos fazendeiros, empresários, donos de badalados restaurantes, juízes, policiais e políticos que sorriem para as câmeras e contribuem nesse comércio mundial. Uma elite que está acima de suspeitas que nós, meros cidadãos pagadores de impostos, podemos imaginar.


Como o próprio jornalista Misha Glenny relata no prefácio deste livro:

"... a parte mais lucrativa do comércio de cocaína está a centenas, senão milhares de quilômetros de distância das favelas de Fortaleza, Natal, Maceió, Rio de Janeiro ou São Paulo. As pessoas que realmente ganham dinheiro não são os bandidos das favelas." (pags.13-14)

Talvez por isso você não tenha ouvido falar de Cabeça Branca, mas já ouviu falar muito sobre Fernandinho Beira-Mar. E não que esteja diminuindo a culpa de uns e outros, mas é que a parte que faz esse organismo realmente vivo está escondida em rostos que não chamam a atenção para si.


Cabeça Branca: A caçada ao maior narcotraficante do Brasil

Escritor: Allan de Abreu

Editora: Record - 3 ed.

Ano: 2021


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